Saturday, September 30, 2006

E depois o arrepio, a memória dos afectos…

 

Cansado, adormeceste ao meu lado…

 

 

Agora, que pousas a cabeça na almofada e respiras satisfeito

Fico a olhar-te um pouco enquanto acaba a noite

Enquanto nenhum gesto te magoa, como se fosse sempre…

Esta é mais uma noite a vencer

Para voltar ao brilho da tua alegria e a calma quente que me sabes dar…

E depois, o arrepio, a memória dos afectos…

Deixa-te ficar na minha casa, há janelas que tu não abriste e o luar espera por ti….

 

 

Há um mágico que não cabe nas tuas mãos, trá-lo no peito com a força do trovão

Menino do Rio,, calor que provoca arrepio..

 

O Teu lugar a mais, a tua ausência em mim

A Tua paz que eu perdi…

E as estrelas que hoje eu descobri no seu olhar…

Há qualquer coisa que se esconde em ti, que me fascina e dá cabe de mim!

 

 

Fui eu quem virou as páginas na pressa de chegar até nós…

E hoje, desviamos os olhos por sentir a verdade

 

O que foi feito de ti? O que foi feito de mim?

Já me lembrei, já me esqueci…

 

Eras tu a dançares em pleno dia e eu encostado como quem não vê

Eras tu a falar para esconder a saudade

E eu fugia do toque como do cheiro por saber que era o fim da roupa vestida…

 

Afinal,  quebramos os dois

E eu fiquei com tanto para dar

Porque o que sinto por ti são coisas confusas

E a manhã sugou o teu primeiro beijo…

 

 

 

30 de Setembro 2006 *Silvia Amaral

 

 

Ps- Volta atrás, não percas tempo, pensa em mim… ( tenho um canto só pra ti)

 

Posted by Aphrodit at 13:37:17 | Permalink | Comments (3)

Monday, September 25, 2006

“Mas afinal de contas, o que é que gostas em mim?”

 

Gosto quando chegas sem avisar no teu passo maroto de menino. Gosto de te ver entrar pela porta da minha casa com a mala as costas, com um sorriso de quem vai passar férias,mesmo quando mais uma semana está a começar.

 

Gosto quando me apertas as bochechas e dizes que tens uma surpresa para mim, me mandas fechar os olhos e encostas os teus lábios aos meus.

 

Gosto de te preparar o café e gosto quando como recompensa tiras do bolso um daqueles chocolates pequeninos que quase já não se vêm.

 

Gosto de me sentar no sofá contigo a ver um qualquer programa de televisão e que me enchas de cócegas até não aguentar mais. E gosto das noitadas de filmes e chocolates quentes e mimos e adormecer no teu colo. Gosto do teu colo.

 

Também gosto quando chegas perto do meu ouvido e me cantas “você é linda…” ou quando enrolas os teus braços à volta da minha cintura, desenrolas-me numa pirueta quase perfeita e me deixas cair perto do chão para me levantares bem junto do teu peito. Gosto do teu peito.

 

Gosto ainda mais quando pegas no carro e eu não preciso dizer nada, porque sabes quase sempre onde eu quero que tu me leves.O pontão no fim da ria, as dunas matinais quase desertas, o café escondido no virar daquela esquina, a esplanada junto ao mar, a pedonal, o restaurante requintado com vista po Douro, os jardins e as praças do nosso encantamento.

 

Gosto muito, muito, quando trocas o carro pela mota.

 

         Gosto quando me piscas o olho, gosto quando me deitas a lingua de fora, gosto quando me fazes caretas, gosto quando queres fazer-te de mau e não consegues.

 

         Gosto quando não me ligas nenhuma. Gosto quando me dizes que gostas de me ver ciumenta por não me ligares nenhuma. Gosto quando me dizes que também me gostas de ver triste, cansada, furiosa, chateada, de fato treino, de avental, acabar de acordar, acabar de adormecer.

 

         Gosto quando ficas com bigodes de leite ao pequeno almoço e gosto quando os desfazes com a tua lingua. Gosto da tua lingua.

         Gosto das tuas mãos, gosto ainda mais do que fazes com as tuas mãos. Gosto dos teus dedos dos pés, gosto do teu pescoço, gosto do teu queixo, gosto do teu humbigo.     

 

Gosto mais que muito do teu sorriso quase constante e bem disposto. Gosto de te ter ao meu lado a lembrar o lado bom de cada coisa. Gosto de não seres demasiado sério, nem seres demasiado despreocupado.

 

Gosto da voz das tuas palavras. Gosto da tua voz. Gosto das tuas palavras. Gosto do teu silencio. Gosto do que insistes em não contar. Gosto daquilo que não sei de ti. Gosto de nao saber tudo de ti. Gosto que não gostes de saber tudo de mim.

 

Gosto de gostar destes teus grandes pormenores. Gosto de gostar de ti.

 

 

Silvia Amaral *

Aveiro, 24 Setembro 2006

Posted by Aphrodit at 14:08:59 | Permalink | Comments (11)

Sunday, September 24, 2006

  

“para todos os
 seres humanos é fundamental o contato, o toque, a proximidade e a carícia.”

 

8.20 da manha, toca o despertador.

Ela levantou-se num salto único e subiu as persianas, correu as cortinas, abriu as janelas, deixou entrar o ar.

Deslizou até à banheira, deixou que àgua quente lhe tocasse o corpo. Fechou os olhos, fez cair a cabeça para trás.

Balançou-a e passou as mãos pela cabeça demoradamente.

Abriu os olhos e afastou-se do vapor. O exótico gel de duche despertou-lhe os sentidos.

Nas suas mãos depositou uma concha desse cheiro e espalho-o pelo corpo. Va-ga-ro-sa-mente.

Passou as mãos por todo o seu corpo. Sentiu-se.

 

23 Setembro 2006 * aphrodit

 

Posted by Aphrodit at 17:24:58 | Permalink | Comments (2)

Saturday, September 23, 2006

Adivinhar que há um lugar em que eu serei e tu serás…

Olho lá para fora, do outro lado da minha janela.

Encontro no céu o espaço vazio do meu pensamento.

Espero, Canso, Insisto , E Sinto…

Um corpo pesado que se estende em mim

Um olhar cansado que ficou por aí

Um gesto marcado quando me despi

Umas mãos que apertarem para nao fugir

Um sorriso rasgado roubado de ti…

Silencio, lençois desalinhados

o quarto vazio depois do bater da porta

Entrei , falei, ouvi…. e fiquei.

 Silvia Amaral * 23 de Setembro *

Posted by Aphrodit at 20:05:58 | Permalink | Comments (1) »