Wednesday, October 18, 2006

Na minha ou na tua casa?

 

 

 

Vieste-me buscar na mota preta de sempre. Tiraste o capacete e abanaste a cabeça ao vento e a mão à minha janela. Desci pelas escadas para não esperar pelo elevador e corri até ti. Desmanchas-me o rabo-de-cavalo (como sempre fazes) demoras-te um pouco a olhar-me e mergulhas nos meus lábios. Intensamente delicioso. Abraças-me logo de seguida e levantas-me no ar a fazeres-te de herói e forte.

Vestiste a camisola da cor do mar e dos teus olhos e tudo me parece harmoniosamente combinado. Reparas que te olho de cima a baixo e dirigiste-me à mota todo convencido. Tonto.

Penduro-me contigo na máquina voadora, vais em direcção à marginal e saímos da cidade em menos de 5 minutos.

Nunca sei para onde me levas mas sei sempre que vou gostar, porque tens a capacidade de me surpreender em cada piscar de olho. Sei que enquanto enlaço os meus braços na tua cintura e o vento se quebra nos nossos corpos sinto o coração a fervilhar cá dentro e uma ternura mais que meiga a acariciar-me a alma.

Fecho os olhos. És meu. Não ontem, não hoje, não amanha, nem para sempre, mas neste instante em que te prendo contra o meu peito. Só Meu.

Trouxeste-me a um sítio tão vulgar como o Aeroporto. Rio-me.

“Porque me trouxeste até aqui?”

“Queria ter a certeza de que te prefiro a ti, do que a um avião”

“Hum?”

“Não que dês menos trabalho do que eles, mas tenho a certeza que és o meu avião preferido para as viagens da minha vida. Em ti vejo um mundo, um mundo que quero descobrir. Em ti encontro lugares secretos que quero desvendar. Sei que és tu o meio mais seguro, mais meigo, mais doce, mais inteligente, mais verdadeiro para a viagem da vida.”

“M…”

Tapas a minha boca com o dedo indicador da mão esquerda …

Sei que podes não durar mais que o dia de hoje, mas enquanto existires e me quiseres ao teu lado, eu estou contigo porque sei que não existe nenhuma mulher no mundo capaz de me fazer sonhar, amar, viver a vida, como a mulher que encontro em ti, que tantas vezes se faz menina no meu colo e tantas outras anjo dos meus sonhos. És o meu avião.”

 

És incrível. Apaixonado, apaixonante.

 

“Achas que mesmo assim podemos um dia destes entrar num daqueles e irmos a algum lado?” Pergunto sorrindo.

“Não me parece de todo impossível. Já hoje, ou consegues esperar por amanha?”

“Na minha ou na tua casa?”

 

Silvia Amaral* 18 de Outubro de 2006

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Monday, October 9, 2006

Porquê?

 

Ela olhou para mim com o olhar de menina pela primeira vez apaixonada.

Afastou o olhar por breves momentos a formular a pergunta. Depois, disse tudo de uma vez, num discurso que rompeu o meu pensamento como uma seta certeira:

 

“Nao compreendo os homens. Não compreendo mesmo. Penso que, acima de tudo eles não se compreendem e não sabem o que querem. Aliás, eu acho que eles pensam que só sabem aquilo que não querem. E sabes o que é que eles não querem? Eles não querem ninguém que se preocupe com eles, mais que o essencial. Fogem de cada vez que te aproximas um milimetro para lá da barreira de segurança estipulada. Confundem tudo. Acham que se lhes mandares mais que 2 mensagens numa semana queres votos de amor eterno. Acham que se os convidares para ir lanchar é porque de certeza absoluta, não lhe sais da cabeça. Acham que, se sorrires cada vez que olham para ti, estas a tentar seduzi-los. Têm medo da tua expontaneidade, da tua proximidade…

Mas diz-me, se souberes,  Porque pensam assim?”

Afastei o cabelo que caia do lado direito da minha face. Sorri e respondi:

“Deixa para lá querida, eles não vieram com livro d e instruções, mas com o tempo serás capaz de perceber que isso é uma verdade tão universal que acabarás por aceitá-la com naturalidade”

Rapidamente e quase ofendida disse-me então:

“Não, eu nunca compreenderei o porquê de ele não entender que simplesmente…  eu sou assim…” 

Silvia Amaral 9 de Outubro 2006

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Friday, October 6, 2006

Debaixo dos Caracóis dos teus Cabelos…

Piscaste-me o olho.

 

“ Já venho ok? “

 “ Mas esta é a tua música favorita…”

 

Fiz de conta que não ouvi e fugi para aqui.

 

-Achas que desconfiaram de alguma coisa?

-Penso que não, estão demasiado concentrados nos acordes de guitarra… E de qualquer modo… também já não aguentava mais ali…

- Eu não aguentava não te poder abraçar.

- É?

- Mesmo!

- Sabes que passei o fim-de-semana à espera deste teu momento? È que no teu olhar perdido eu vejo um pouco do teu céu ;)

- Não estavas À espera deste momento para me abraçar? Estás À espera de que?

- Estou a olhar para ti e a pensar que quando escreveram esta música estavam mesmo a idealizar uns olhos como os teus..

- Eu acho que eram mais como os teus… ;)

 

“Tu tens guardado e escondido desejo louco de viver, no teu olhar perdido eu vejo um pouco do céu… e mesmo a paixão não me impede de te dizer …. que é uma ilusão eu sonhar a vida sem te ter… Os teus olhos são um céu, são um céu… Os teus olhos são um céu…  Às vezes a vida é dura parece loucura remar contra a maré, o amor é o nosso lume, tu és o ópio…eu sou o narguilé … Os teus olhos…. “

 

 

 Sorrimos.

 

Encostaste o teu peito às minhas costas, agarraste-me pela cintura devagar, tiraste-me a franja dos olhos, deste-me um beijo na face…

 

- “ Porque não trouxeste hoje o cabelo aos caracóis?

- “ Estou mal?”

- “ Sabes bem que não é nada disso, mas gosto de imaginar a viagem que começo debaixo dos caracóis dos teus cabelos…”

- “ Hu?

- “ Já vais perceber pequenita, ouve com atenção “

 

“ Na areia branca, teus pés irão tocar e vais molhar teus cabelos, na àgua azul de mar… Janelas e portas vão-se abrir, só pra te ver chegar… e ao te sentires em casa sorrindo vais chorar:

Debaixo dos caracois dos teus cabelos, uma história pra contar de um mundo tão distante… Debaixo dos caracóis dos teus cabelos um soluço e vontade de ficar mais um instante…”

 

- Hmm… a viagem que começa debaixo dos meus caracóis… parece-me uma viagem arriscada… devo fugir? ;)

- Não, não te vás embora, prende-me em ti, fica comigo mais um instante…

- Estão à minha espera…

 

Encostaste os teus lábios aos meus, afagaste-me o cabelo e descais a tua mão pelas minhas costas…

“Isto foi só o início da viagem minha pequenina… “ sussurras tu ao meu ouvido

Silvia Amaral* 6 Outubro 2006

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