Wednesday, November 22, 2006

“Strangers in the Night”

 

Eu reparei que chegaste distante, que não me agarraste a mão, que não me olhaste nos olhos.

Eu notei logo quando não me chamaste “pequenina”, quando fugiste com os teus lábios rapidamente dos meus.

Eu senti o teu abraço muito apertado de despedida, a luz fraca do teu olhar, o suor frio nas tuas mãos. O teu corpo de saudade antecipada, o teu querer absorver todos os momentos com uma proximidade estranhamente distante.

Já sabias que te ias embora muito mais rapidamente do que pensavas. Tu já sabias não já? Como foste capaz de me escapar das mãos desta maneira?

Eu tentei puxar-te para mim, eu fiz tudo para que não deixasses que te levassem da minha beira. E não consegui.

Primeiro, veio a recusa, o apagar de tudo aquilo que tu foste. Simplesmente varrer-te completamente do meu pensamento.

Depois, veio a fúria, o ódio desmedido, um turbilhão de materiais cortantes que me cravavam no coração.

De seguida, culpei-te por tudo, mas principalmente por me sentir enganada. Por sentir que nunca me amaste da forma que dizias e reclamavas. Sabes porquê?

Eu guardei cem mil retratos, eu escrevi-te mais de um milhão de palavras. Eu deixei-te entrar na minha sala, na minha cozinha, no meu quarto. Eu emprestei-te toda a minha vida com uma entrega desmedida. E hoje, que regressaste ao teus país, à cidade onde nunca me levaste, à família que nunca me quiseste apresentar, ao teu quarto e a toda a tua casa onde nunca entrei realmente onde nunca me levaste para jantar… não existe praticamente nada para me lembrares. Para me fazer lembrar. Ninguém te pergunta por mim, porque se calhar, nem nunca souberam da minha existência. E senti então uma tremenda injustiça no que foi a nossa hipotética relação. Que dei muito mais do que o que recebi, que fui patética e tonta em não questionar a tua distância em tantos pormenores do dia-a-dia que constroem o amor.

Depois veio a calma e a certeza que tudo está certo e que há uma ordem e lógica cósmica que nos rege e que as coisas estão como devem estar.

Agora… agora, só consigo pensar nesse dia em que me beijaste suavemente nos lábios e me disseste que ias embora. Lembro-me como esse dia passou a correr e como prolonguei o último minuto quase até ao infinito.

Ali, numa das margens da ria da nossa cidade, senti-me um dos moliceiros esquecidos ao sabor da maré. Senti que perdi o último comboio da nossa estação.

Senti-me uma daquelas manhãs cinzentas que se espera pelo descobrir do céu e as nuvens não passam.

Congelei todo o meu ser nas tuas palavras: “I’ll Miss You Darling”. Foi só o que me disseste nesse teu Inglês britânico que me cativou desde a primeira vez.

(Cantavas “Strangers in the Night”, acabaste e dirigiste-me para mim: “Tonigh, I don’t want us to be strangers in the night”, e é so mais uma das coisas que nunca esquecerei).

 Lembro-me como passaste as mãos pelo meu cabelo e desceste pelas minhas costas (como fazias sempre). Revejo tudo a câmara lenta.

 Sinto o nevoeiro chamado saudade a penetrar-me a pele, os ossos, o sangue, o pensamento, tudo o que sou.

Queria ter-te aqui agora a cantar-me baixinho Michael Bubble, “Let me go home ‘Cause I’m just too far from where you are I wanna come home” E queria que regressasses à minha casa e á minha vida, para ficar. Que ligasses neste preciso momento e acabasses assim “I’ll be home tonight, I’m coming back home”.

E no fundo sei que nunca regressarás, mas enquanto o nunca não chega, relembro o teu inglês britânico misturado tantas vezes com um Português ondulado: “Good Morning Darling, és amazing quando acordas”, e as gargalhadas depois dos teus jogos com as palavras…

 

Ele escreveu-lhe:

 

Querida Sílvia,

 

Tenho feito um esforço para melhorar o português, uma vez que não estamos juntos para nos rirmos dos meus erros. You’re beautiful when you laugh and it’s wonderful when you smile.

Só para te dizer que como sempre tem estado nevoeiro e chuva por aqui. Lembro-me sempre das manhãs de Aveiro a  acordar ao teu lado.

 

Miss you.

 

 

* Sílvia Amaral 22 Novembro de 2006 *

Posted by Aphrodit at 22:35:59 | Permalink | Comments (11)

Tuesday, November 21, 2006

Tanto trabalho…

Mais uma vez, estou algum tempo sem escrever…Aqui! (ainda hj acabei uma reflexao critica de 7 paginas pa Universidade…
Tem sido muito muito trabalho, mas prometo que brevemente se soltará mais um pensamento difuso, mais um suspiro em forma de poesia…
Bjinhos e Uma Boa Semana P todos :)*
Posted by Aphrodit at 00:48:02 | Permalink | No Comments »

Saturday, November 4, 2006

Espera sempre por mim

 

Acendeste uma vela no meu dia escuro. Abriste-me os olhos e o coração para a vida e o meu mundo num segundo ficou do avesso. Cá dentro tornou-se tudo imensamente céu, intensamente azul.Deste-me a tua a mão e  correste comido para longe daqui,para nos e scondermos atrás da nuvem mais clara do céu. Saltaste as dunas comigo,  sentamo-nos ao sol. Agarraste um dos seus raios e cravaste-o no meu olhar. Roubaste as notas à musica do mar e engoliste-as, cravando-as na tua voz. Como é doce a melodia das tuas palavras quando pensas em  mim.

Eu porém,  rebelde e curiosa, saltei à arvore mais alta  afastando-me de ti… para regressar num voo  inesperado (é que…nem lá de cima o mundo é tão magnifico e belo como quando o vejo  nas tuas mãos e através do teu olhar). Para  ficar. Para  continuar. Amar. Se faz o caminho. E todos os caminho me levam a ti. 

Obrigado por  me recolheres no teu colo e me afagares os cabelos nos finais dos dias tristes. Por brindares  com gargalhadas e orgulho os meus dias de suceesso. Por  esperares sempre paciente  e esperançadamente por  mim. E o melhor, no inicio e final de tudo…. por abrires sempre os  teus braços e abraços quentes e fortes  para mim.

És o meu chão… 

Silvia Amaral*   4 de Novembro  de  2006

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