Tuesday, February 13, 2007

It Feels So Good

 

“Os dias passam devagar enquanto te espero. Demoram e arrastam-se no tempo…

Assim se fazem difíceis as palavras quando tento falar de nós.

Mas como não deixar de to dizer, meu Querido? Que, sem saber bem como, passaste a ocupar quase totalmente o espaço do meu pensamento? Que o mundo tem acordado cheio de ti? Que as noites têm sido de abraços vazios, de beijos perdidos, de corpos distantes? Como não te dizer, que estremeço a ouvir a tua voz? Que me arrepio quando te insinuas dentro de mim?

Eu sei que tu estás aí, que eu estou aqui. Sei do mistério que é este abismo louco que nos separa. Sei desta sagacidade sagrada de te sentir. Sei da ternura cravada na alma das tuas palavras em mim.

Sei também que não sei muita coisa. Como acordas. Como adormeces. Como se deposita o sol nas tuas mãos, como sentes o vento e a chuva…

Não sei do teu sabor na minha boca, das tuas mãos no meu corpo, dos teus olhos nos meus, de ti em mim…

Também não sei se andamos simplesmente sobre um fio ténue de ilusão…

Mas sei que gosto desta explosão de cores nos meus olhos por ti…

And it feels so good!”

Silvia Amaral * 13 de Fevereiro de 2007

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Monday, February 5, 2007

Marujo Pop Flash no navio Pink Floyd

 

Quando tinhas a minha idade, Pai… O que esperavas da vida? Quais eram os teus sonhos? O que foi feito deles, Pai?

Quando tinhas a minha idade, o que te animava os dias? O que te fazia sorrir? O que te emocionava? Com o que é que tu pai, te surpreendias?

Sabes… eu imagino-te tantas vezes com os teus 21 anos a descobrir o mundo. Vejo-te vestido de marinheiro a dizer adeus a mais um cais. A partir uma e outra vez e a voltar cheio de histórias. Tu viveste tanto pai, tu conheceste tanta coisa… A tua juventude foi tanto entusiasmo, que se calhar sou demasiada parecida contigo para ter uma vida tão banal… como a que tenho hoje.

 Nunca gostei de ser banal, sempre evitei o comum…

E nessa altura pai, alguma vez sentiste que corrias e corrias e não sabias porquê?

Algumas vezes paraste nessa correria e sentiste que nada fazia sentido.

Diz-me Pai, já alguma vez te sentiste tão exausto que não tinhas mais forças para continuar? Não saberes sequer porque precisavas de ter forças?

Alguma vez sentiste que a única razão que te leva a acordar todos os dias é a inércia ao hábito diário?

Quando tinhas 21 anos pai, pensavas em algum momento que estavas sozinho? Que estavas vazio?

Pai, talvez eu esteja só muito cansada, talvez seja apenas demasiado exigente com a vida e comigo própria. Talvez seja culpa minha este vício de emoção, de entusiasmo, de me sentir viva.

Talvez seja de eu sonhar demais. Talvez seja de eu não querer deixar de pensar que os sonhos se podem realizar. Talvez eu só não queira crescer mais.

Talvez a vida seja mesmo só uma pista de fórmula 1, e eu estou sempre à espera da oportunidade de entrar e pisar um palco… ou de um navio que também me leve para a vida…

Silvia Amaral * 5 de Fevereiro de 2007

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Friday, February 2, 2007

Vitral da alma da Bailarina de Cristal

 

Há um espaço que é tão delicado dentro de ti
que tenho medo de entrar ferozmente na delicadeza do teu olhar…
Na serenidade das tuas mãos, e no modo como elas caiem e se deixam pousar na minha pele…
Na Languidez das tuas palavras, na doçura da tua voz…
Assusta-me a brevidade do teu respirar, o bater tão certo do teu coração…
E esta ânsia de tocar as estrelas que te poisam nos ombros,
Varrer-te todos os ruídos, dissolver cada morcego do teu pensamento
A tua ternura fica-me na boca, qual fio aveludado de licor
E no meu corpo, vestigios do abismo e do sagrado
Depositado Á conta do suor do nosso prazer
E tu…
Tu és tão naturalmente tu
Que receio tocar-te os sentidos
Alterar-te a ordem da harmonia
Quebrar-te o vitral da alma
E eu não sei mais que fazer para te alcançar,
bailarina de cristal em caixa de música madre-pérola
sem te ferir a dor perfeitamente bordada a ponto cruz
ou rasgar-te as certezas amargadas nas horas tristes…

Silvia Amaral * 2 Fevereiro de 2007

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