Friday, June 29, 2007

Precipício

Aquele momento que fica entre os meus lábios e os teus, o instante breve que nos separa. Os 20 centímetros mais curtos de sempre antes do precipicio do teu beijo, do teu peito, da tua lingua. Foam 30 segundos suspensos a parecerem horas. 

O sangue a fervilhar numa calma quente, num doce esperar. Aproximar. Os teus braços de anjos. Os nós da tua voz a desfazerem-se em laços. Em abraços fechados. Em apertados enlaços: 

 

- Se eu tentar, tu Deixas?

- E se eu Deixar,  Tu ficas?

 

Silvia Amaral * 29 de Junho de 2007

 

 

 

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Wednesday, June 20, 2007

Química

 Não acontece todos os dias, mas hoje aconteceu.

Eu entrei desajeitada como sempre, ocupada no meu lufa-lufa de trabalhos e preocupações.

Ele virou-se e Olho. Eu parei e olhei.

Não sei quanto tempo passou enquanto nos olhamos simplesmente, até reagirmos.

Eu segui em frente, ele prosseguiu a sua espera para ser atendido.

Tornou-se a virar.

Olhou-me. Olhei-o.

Não sei quanto tempo passo enquanto nos olhamos simplesmente, até reagirmos.

Ele queria qualquer coisas com uns cartões. Morada errada, rua de cima, sempre em frente, passa o Totta.

Eu esperava a sorrir por dentro.

Time to go. 

Virou o olhar, beijou o meu. Aquele olhar pela ultima vez.

Foi-se embora. Esperou lá fora. Quanto tempo? Não sei bem….

Até que ligou o carro e seguiu a olhar-me pelo retrovisor.

 Não acontece todos os dias, mas hoje por breves momentos no tempo, construiu-se e desfez-se um império em minutos. O teu sopro embalou a vela do meu olhar traçando rotas no azul do teu…

 

E já agora, também descobri que sou fortemente influenciada pela Feniletilamina!

Quem me conhece ( e quem me lê por aqui conhece um bocadinho grande de mim) ao ler o documento perceberá porquê :)

http://www.spq.pt/boletim/docs/boletimSPQ_100_047_28.pdf

 

 

* Silvia Amaral *  20 de Junho de 2007  ( Hee láaa faço 21 anos e Meio!, certinhooos! =) )

Posted by Aphrodit at 14:21:17 | Permalink | Comments (3)

Wednesday, June 13, 2007

My SuperGirl

 

Foi uma Tarde chuvosa… Muito vento e frio. Um dia de Junho roubado ao Inverno. Horas de mar e ondas no horizonte.

Praia vazia e as nossas pegadas. O teu corpo traçado na minha volúpia. Os teus sentidos pregados à minha silhueta.

As tuas mãos cheias de mim. Os teus braços a prenderem-me em ti. A não me deixar fugir. A insistir. A tua boca a

calar-me o prazer. A dar-me prazer. A não me deixar conter. A minha pele a pousar no teu desejo. A desejar o teu

desejo. A afundar no beijo. No canto do lábio. Na curva da lingua. Quente. É o espaço que fica entre nos. Que nos

afasta. Aproxima. Mente a impotencia da minha negaçao. A tua aprovaçao. A tua prova. De mim. De ti. Quero ser.

Num momento apenas. Sonho.

 

E quando acordo tu já me cantaste baixinho: ” You are my Supergirl! And supergirls don’t cry!”

 

 

 

* Silvia Amaral * 13 de Junho de 2007

 

 

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Sunday, June 10, 2007

 

“Não entendo, porque a minha boca se habituou ao licor aveludado da tua e os meus lábios apenas sentem agora o sal das tuas palavras feitas saudade…

Não mereço uma resposta dessas, porque nós não devemos nada um ao outro a não ser sinceridade.

O que te grita aos ouvidos? De que areias é feito o deserto do teu silêncio?

Que pó tenho eu de engolir e que ventos tens de deixar atravessar-me?

Que bússola te regula os sentidos para tão longe de mim?

Não compreendo…

A minha gramática e o meu dicionário não incluem tanto antagonismo…

Não mereço…

A minha entrega e a minha simplicidade não integram tanta incerteza…

E, se um dia dei por mim a perguntar como te ajustavas tanto ao meu toque, hoje questiono-me como te adaptas tu à minha vacuidade, à imposição da minha ausência…

Divago e suspendo-me nas curvas dos pontos de interrogação da minha dubiedade…

Porque teimas tu em esticar ao máximo a distância que nos separa, porque forças tu tanto espaço vazio entre nós, porque reforças a instabilidade da teia de aranha que nos une… Porque calas cada eco das palavras, tecidas ao tom da sagacidade dos nossos desejos?

Não entendo e não mereço, mas aceito. Como quem aceita o Outono e o Inverno chegar… Como quem se resigna com a brevidade de cada segundo, e a certeza de que o tempo não pára nunca.

Aceito-te como és, totalmente, porque te tive e tornaste-te meu. E assim, aceito sem mudanças, a natureza pura e intocável da tua existência e identidade.

Não voltarás a ser meu, sinto-o, sei-o. Porque não quero desertos assentes na esperança vaga do oásis. Porque não sei viver com bússolas reguladas a sul. Porque não preciso de ser testada nas minhas qualificações enquanto ser humano e enquanto mulher. Porque não confio em ti. Porque fizeste levantar demasiadas dúvidas e incertezas quanto a quem és. Porque descobri que me bastam os passos que caminhamos de mãos dadas

Escorrem-me, escapando-se das mãos, o adormecer no teu sorriso, o amanhecer no teu abraço, o encontrar-te no virar da esquina do meu pensamento…

 

Remato-nos a ponto fechado, limitado às pegadas que cruzámos, às pernas que entrelaçámos, às palavras que entrançámos…

 

Até um dia, amor do ultimo dia de hoje…”

 

Escrito numa madrugada triste, de liberdade própria invencivel

 

 

* Silvia Amaral

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Thursday, June 7, 2007

Fico sempre

Posted by Aphrodit at 00:15:38 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, June 5, 2007

Excepção à regra

“Acreditas que há alguem à nossa espera? Que quando a procuramos e idealizamos ela algures nos idealiza a nós próprios? Achas que existe a nossa cara metade?”

Não sei…

Mas sei que que há duas coisas diferentes:

- Amores que nascem da paixão, da capacidade da outra pessoa poder realizar ou preencher os nosso criterios e idealizaçoes. Paixões que se transformam em amor aumentado, que faz bater o peito muito rapido, que faz sonhar e sofrer e fazer tudo e qualquer coisa por esse amor. Mas, na maior parte das vezes esse amor embora seja do tamanha do mundo nao é concretizavel. As pessoas não conseguem realizar esse amor devido a personalidades diferentes, feitios incompatíveis. Pessoas que se cansam, que não conseguem tornar possível no dia-a-dia a realizaçao desse amor.

- Pessoas que se gostam, em que não houve muitas vezes aquela paixão desmedida, aquele amor gigantesco. Não são amores iguais aos outros. Antes, nascem da compreensão do dia-a-dia, da partilha de momentos, da capacidade das pessoas conseguirem viver ao lado umas das outras, apoiarem-se, compartilharem gostos, correrem juntos, irem ao cinema, ficarem em casa, irem a uma discoteca, rirem-se até as tantas numa jogada de cartas com amigos. No fundo baseiam-se em relaçoes realizaveis. Relações onde se cria uma intima proximidade, em que as pessoas se respeitam e vivem amena e descomplicadamente. Gostam-se, têm cada uma delas muitas vezes amores antigos dos primeiros descritos, mas encontraram na relação intima de amizade e companheirismo a concretização da sua felicidade.

Infelizmente, raras vezes as duas proposições se encontram juntas… Mas como eu sou um coração de marrrgarrrina, uma romantica incurável, ainda acredito que vou ser uma dessas raras excepções…

Porque não? :)

 

Silvia Amaral * 5 de Junho de 2007

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