Foi agora…
…exactamente agora. No momento em que abri a porta da minha casa vazia, que te desejei aqui. Á minha espera. O jantar não precisava de estar feito, nem a banheira cheia. Mas estava um sorriso pronto para abraçar o meu cansaço. Umas mãos a suportarem o meu corpo.
Então, e só depois de tudo isto, podias abrir a torneira e deixar a banheira encher. Podias pôr a tocar uma música qualquer que me desviasse para algures a atenção. Podias ficar a despir-me e deitar-me sobre a cachoeira do meu chuveiro. Podias sussurrar umas quaisquer palavras doces, ou ficar calado e esperar por mim. Podias fazer-me somente um chá e embriagar-me da tua paz. Que eu repousasse na tua tranquila serenidade. Um filme, ou uma dessas séries da Fox. Meia luz. A tua mão a deslizar na minha cara a prender-me o olhar. Um abraço amarrado.
Mas não. A casa está vazia e está um anoitecer triste. Os meus pés estão doridos e eu só.
Silvia Amaral * 26 de Julho de 2007