Um ano…
Já fez um ano que abri este meu lugarzito na web…
Fica por isso uma palavra para aqueles que me foram visitando, que dispensaram um pouco do seu tempo para me lerem…
As palavras são como ecos, necessitam de resposta lá ao fundo, ainda que fugaz… Necessitam de quem as leia, quem as sinta…
Sei que alguns de voces se encontraram na minha escrita, outro que sonharam um pouco com ela. Que assim seja.
O importante mesmo é que gosto das vossas visitas e do vosso feedback. Espero encontrar-vos de quando a quando por cá…
E para hoje sugiro o texto que publiquei ha um ano atras. Sem dúvida um dos meus favoritos.
“Afinal, o que é quetu gostas em mim?”
Gosto quando chegas sem avisar no teu passo maroto de menino. Gosto de te ver entrar pela porta da minha casa com a mala as costas, com um sorriso de quem vai passar férias,mesmo quando mais uma semana está a começar. Gosto quando me apertas as bochechas e dizes que tens uma surpresa para mim, me mandas fechar os olhos e encostas os teus lábios aos meus. Gosto de te preparar o café e gosto quando como recompensa tiras do bolso um daqueles chocolates pequeninos que quase já não se vêm.
Gosto de me sentar no sofá contigo a ver um qualquer programa de televisão e que me enchas de cócegas até não aguentar mais. E gosto das noitadas de filmes e chocolates quentes e mimos e adormecer no teu colo. Gosto do teu colo. Também gosto quando chegas perto do meu ouvido e me cantas “você é linda…” ou quando enrolas os teus braços à volta da minha cintura, desenrolas-me numa pirueta quase perfeita e me deixas cair perto do chão para me levantares bem junto do teu peito. Gosto do teu peito.
Gosto ainda mais quando pegas no carro e eu não preciso dizer nada, porque sabes quase sempre onde eu quero que tu me leves. O pontão no fim da ria, as dunas matinais quase desertas, o café escondido no virar daquela esquina, a esplanada junto ao mar, a pedonal, o restaurante requintado com vista po Douro, os jardins e as praças do nosso encantamento. Gosto muito, muito, quando trocas o carro pela mota.
Gosto quando me piscas o olho, gosto quando me deitas a língua de fora, gosto quando me fazes caretas, gosto quando queres fazer-te de mau e não consegues.
Gosto quando não me ligas nenhuma. Gosto quando me dizes que gostas de me ver ciumenta por não me ligares nenhuma. Gosto quando me dizes que também me gostas de ver triste, cansada, furiosa, chateada, de fato treino, de avental, acabar de acordar, acabar de adormecer.
Gosto quando ficas com bigodes de leite ao pequeno almoço e gosto quando os desfazes com a tua lingua. Gosto da tua lingua. Gosto das tuas mãos, gosto ainda mais do que fazes com as tuas mãos. Gosto dos teus dedos dos pés, gosto do teu pescoço, gosto do teu queixo, gosto do teu umbigo.
Gosto mais que muito do teu sorriso quase constante e bem disposto. Gosto de te ter ao meu lado a lembrar o lado bom de cada coisa. Gosto de não seres demasiado sério, nem seres demasiado despreocupado.
Gosto da voz das tuas palavras. Gosto da tua voz. Gosto das tuas palavras. Gosto do teu silencio. Gosto do que insistes em não contar. Gosto daquilo que não sei de ti. Gosto de nao saber tudo de ti. Gosto que não gostes de saber tudo de mim. Gosto de gostar destes teus grandes pormenores. Gosto de gostar de ti.
Sílvia Amaral * 25 de Setembro de 2007 *