Tuesday, September 25, 2007

Um ano…

Já fez um ano que abri este meu lugarzito na web…  :)

 Fica por isso uma palavra para aqueles que me foram visitando, que dispensaram um pouco do seu tempo para me lerem… 

As palavras são como ecos, necessitam de resposta lá ao fundo, ainda que fugaz… Necessitam de quem as leia, quem as sinta… 

Sei que alguns de voces se encontraram na minha escrita, outro que sonharam um pouco com ela. Que assim seja.

O importante mesmo é que gosto das vossas visitas e do vosso feedback. Espero encontrar-vos de quando a quando por cá…

 

E para hoje sugiro o texto que publiquei ha um ano atras. Sem dúvida um dos meus favoritos.

“Afinal, o que é quetu gostas em mim?”

 

Gosto quando chegas sem avisar no teu passo maroto de menino. Gosto de te ver entrar pela porta da minha casa com a mala as costas, com um sorriso de quem vai passar férias,mesmo quando mais uma semana está a começar. Gosto quando me apertas as bochechas e dizes que tens uma surpresa para mim, me mandas fechar os olhos e encostas os teus lábios aos meus. Gosto de te preparar o café e gosto quando como recompensa tiras do bolso um daqueles chocolates pequeninos que quase já não se vêm.

       Gosto de me sentar no sofá contigo a ver um qualquer programa de televisão e que me enchas de cócegas até não aguentar mais. E gosto das noitadas de filmes e chocolates quentes e mimos e adormecer no teu colo. Gosto do teu colo. Também gosto quando chegas perto do meu ouvido e me cantas “você é linda…” ou quando enrolas os teus braços à volta da minha cintura, desenrolas-me numa pirueta quase perfeita e me deixas cair perto do chão para me levantares bem junto do teu peito. Gosto do teu peito.

       Gosto ainda mais quando pegas no carro e eu não preciso dizer nada, porque sabes quase sempre onde eu quero que tu me leves. O pontão no fim da ria, as dunas matinais quase desertas, o café escondido no virar daquela esquina, a esplanada junto ao mar, a pedonal, o restaurante requintado com vista po Douro, os jardins e as praças do nosso encantamento. Gosto muito, muito, quando trocas o carro pela mota.

         Gosto quando me piscas o olho, gosto quando me deitas a língua de fora, gosto quando me fazes caretas, gosto quando queres fazer-te de mau e não consegues.

         Gosto quando não me ligas nenhuma. Gosto quando me dizes que gostas de me ver ciumenta por não me ligares nenhuma. Gosto quando me dizes que também me gostas de ver triste, cansada, furiosa, chateada, de fato treino, de avental, acabar de acordar, acabar de adormecer.

          Gosto quando ficas com bigodes de leite ao pequeno almoço e gosto quando os desfazes com a tua lingua. Gosto da tua lingua. Gosto das tuas mãos, gosto ainda mais do que fazes com as tuas mãos. Gosto dos teus dedos dos pés, gosto do teu pescoço, gosto do teu queixo, gosto do teu umbigo.     

         Gosto mais que muito do teu sorriso quase constante e bem disposto. Gosto de te ter ao meu lado a lembrar o lado bom de cada coisa. Gosto de não seres demasiado sério, nem seres demasiado despreocupado.

Gosto da voz das tuas palavras. Gosto da tua voz. Gosto das tuas palavras. Gosto do teu silencio. Gosto do que insistes em não contar. Gosto daquilo que não sei de ti. Gosto de nao saber tudo de ti. Gosto que não gostes de saber tudo de mim. Gosto de gostar destes teus grandes pormenores. Gosto de gostar de ti.

 

Sílvia Amaral * 25 de Setembro de 2007 *

 

 

 

 

 

Posted by Aphrodit at 20:24:37 | Permalink | Comments (4)

Sunday, September 16, 2007

Sinto-me a flutuar sobre o mundo, a sobrevoar a existencia. Sinto-me etérea e desprendida de tudo. Desenraizada. Estrangeira da minha vida. Sinto-me a pairar, só a pairar sobre a inexistencia de algum sentido. Olho com carinho os que me são queridos, mas nao me parecem meus. Não sei o que sou. Dizem-me que é uma fase. Que tudo passa.

Nem as palavras me parecem familiares. Nem a escrita parece acertar as linhas negras sobre o fundo branco.

 Sim, também isto há-de passar.

*Sissi

Posted by Aphrodit at 23:07:24 | Permalink | Comments (2)

Thursday, September 13, 2007

A Ti

Eis o texto que a  leitura me ofereceu logo pela manhã: 

“Não me interessa o que fazes na vida. Quero saber o que anseias e se tens coragem de sonhar com a realização desse anseio.

Não me interessa que idade tens. Quero saber se tens a coragem de fazer figuras tolas em busca do amor, dos teus sonhos, da aventura de estar vivo.

Não me interessa quais os planetas que regem a tua lua. Quero saber se tocaste o âmago da tua própria dor, se tens estado aberto às traições da vida ou se te fechaste  com medo de sofrer novamente. Quero saber se consegues sentar-te na presença da dor; tua ou minha, sem tentares escondê-la, esmorecê-la ou remendá-la.

Quero saber se consegues estar na presença da alegria, tua ou minha, se consegues dançar loucamente e deixar o êxtase inundar-te, da ponta dos pés À cabeça, sem dizer « tem cuidado, sê realista, lembra-te das limitações do ser humano».

Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se és capaz de desiludir uma pessoa para seres verdadeiro para contigo próprio; se consegues suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma, se consegues  despojar-te de fé e ser de confiança.

Quero saber se consegues ver a beleza, mesmo quando não é bonita, todos os dias, e se consegues alimentar a tua vida com a sua presença.

Quero saber se consegues viver com o fracasso, teu e meu, e ainda assim abeirar-te do lago e gritar à Lua Cheia de prata: «Sim!».

Não me interessa saber onde vives ou quanto dinheiro tens. Quero sabes se consegues levantar-te, depois de uma noite de dor e desespero, cansado e dorido até ao âmago, e fazer o que for preciso para alimentar os teus filhos.

Não me interessa quem conheces ou como aqui chegaste. Quero saber se enfrentarás as chamas comigo, sem dares um passo atrás.

Não me interessa onde, o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustenta, por dentro, quando tudo o resto desmorona.

Quero saber se consegues estar a sós contigo mesmo e se verdadeiramente aprecias a tua companhia nos momentos vazios”                                                                                                                                                                    - SONHADOR DA MONTANHA ORIAH, ANCIÃO ÍNDIO -

 

Silvia Amaral * 13 de Setembro de 2007*

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Sunday, September 9, 2007

Song of a broken heart

Não quebres este meu coração. Não o espalhes pelo chão. Não gastes as palavras doces. Poupa os sonhos e as projecções. Protege-me a esperança, toma conta dos meus desejos precipitados. Trava-me as fantasias. Não me iludas, não me faças qualquer promessa. Cala o amanhã. Não acalentes a minha poesia. Não encantes as ternuras das nossas idealizações. Que os espaços em branco, permaneçam vazios, estéreis de futuras doçuras. Anula qualquer hipotética amargura. Guarda as chaves do teu mundo. Não acendas demasiadas estrelas no meu olhar. Cuida do baloiço do meu sorriso. Conserva-o à altura e modo certo. Não o deixes cair pelo chão, que ele quebra como o meu coração. Não, não o espalhes pelo chão.

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Sílvia Amaral * 9 de Setembro de 2007

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