Monday, November 5, 2007

Do You Really Want to Know?

Tu pensavas que ia ser sempre assim. Que chegavas abraçavas e ias embora a sorrir. Tu pensavas que tinhas toda a tua vida a teu favor. Tudo planeado e marcado na agenda definida com muito tempo de antecedência. Pensavas que te sabias controlar. Quando começar, quando avançar, quando parar, quando acabar. Que quando chegasse a hora certa, as palavras iam estar à porta dos teus lábios, e que as tuas lágrimas eram domesticadas como sempre. Que conhecias todas as frases bonitas, e as estrelas no firmamento. Tu pensavas que sabias, mas não. Tu desconhecias que existem coisas imprevisíveis, e que por isso mesmo são melhores do que tudo. Pensavas que sabias todos os truques e manhas para conquistares o que querias, quando querias. Que o teu carro, a tua distância, a tua cidade e a tua vida era só tua. Deliberadamente marcada, estreitamente definida. Pensavas tu que me sabias. Mas não. Tu não sabias nem sabes os meus silêncios e os meus dias sós. Não sabes das palavras misturadas com suspiros, nem sabes como é o sabor do meu suor depois do amor. Não sabias que os meus olhos choram cristais e que nos meus sonhos há arco-iris à noite, baloiços muito altos, palcos iluminados, palmas, canções únicas, crianças, relva fresca, chuva miúda, pão a sair do forno, cozinhados, lareiras e aconchego. Não sabias nem sabes, do que são feitos os meus momentos. As minhas noites. Os meus passeios matinais em praias vazias, nem as minhas horas de contemplação nas montanhas. Tu não sabias. Que quando me prendesses nos braços te estava a acorrentar a alma. Que a minha língua doce e picante ao mesmo tempo, é mais viciante que qualquer outra adrenalina. Tu não sabias, nem sabes. O encontro das nossas silhuetas na fotografia, a nossa figura atrás do espelho embaciado do banho quente. Não sabias da minha imprevisibilidade irritantemente fascinante. Não sabes dos dias que não passas comigo. E talvez nunca chegues a saber. O segredo do sonho que eu sabia ter guardado só para nós.
 

Posted by Aphrodit at 14:06:59 | Permalink | Comments (3)