Pulsar do meu coração
O tempo é tão curto, os dias são tão fugazes que às vezes quero viver tudo de uma vez. A vida é tão frágil, que tenho medo. Mas esse medo faz-me agarrar-te todas as noites com mais força, dar-te um beijo e dizer que te amo, com os olhos, com o sorriso e por fim com as palavras. Todas as noites é assim, estendo o meu corpo junto ao teu, alinhamos os ombros, encaixamos os braços e enlaçamos as mãos. Digo-te como és belo, como é estupendo saber que quando abrir os olhos tu vais estar a olhar para mim. Vais abraçar-me e dizer: “Bom dia, amor”. E o amor vem novamente, amarrotando os lençóis e quebrando a minha silhueta. E aí a tua pele toca a minha, desperta o desejo latente de forma exponencial, ao ponto de não caber no nosso quarto, na nossa sala, em todos esses recantos em que loucamente me desapertas os botões e a compostura. Aí somos maiores que os homens, somos Deuses que se deleitam livres e apaixonadamente de pedaços de céu. O desalinho das tuas pernas na minha cintura, o êxtase do olhar quando mergulho em ti. O toque da língua dos lábios, dos dedos sem regras, sem te negar a vontade, dando asas aos meus anseios. O tempo é tão curto. E encostas-me à parede da escadaria. Os dias são tão fugazes. E depositas-me sobre a secretária antiga. A vida é tão frágil. E fazes-me cair no chão do teu corpo. E o Medo. Encostas o teu peito às minhas costas e prendes-me dentro de ti. O Medo. O beijo dos nossos umbigos. Medo. Olhas-me nos olhos. Enquanto estiveres comigo não tenho medo. És a minha fortaleza, o pulsar do me coração.
Sílvia Amaral * 15 de Junho de 2008