Quando chega o depois…
No inicio é bonito. Fazem-se muitas promessas. Dá-se o mundo. Inventa-se um outro. No inicio há muitos sorrisos, há mãos dadas, abraços e não se perde a oportunidade de tocar o outro, de o sentir mais próximo de nós. No inicio, as palavras saem mais facilmente, diz-se vez sem conta o quanto o outro é importante, o quanto nos fascina e nos preenche as horas. No inicio há muitos planos e até os mais banais parecem tirados de um qualquer romance. Há poemas e músicas. Há surpresas. Anda-se com os pés nas nuvens, e a cabeça não se sabe bem onde. O pensamento é preenchido por aquele olhar, por aquela ternura, por aquele roçar do corpo. Acredita-se que existe o sempre e o nunca, o bem e o mal. Tem-se a certeza que não há mais ninguém que possa sentir o mesmo, em todo o universo. Nada é mais especial. Nada poderá alcançar esse grau supremo de afecto. No inicio, vê-se tudo como se quer ver. Acredita-se que há coisas que mudam, que desta é que vai ser. O desejo de complementaridade e ajuste de emoções faz os olhos mágicos. Tudo é fantasia, tudo é espanto, tudo é surpresa…
Depois, chega o “depois”…
Sílvia Amaral 8 de Agosto de 2008