A outra
Às vezes preferia continuar a ser “a outra”. Porque “a outra”, recebe a boa disposição, os braços abertos, o desejo e a frescura. “A outra” personifica o escape, a fuga do mundo, o lugar de abrigo, de procura da satisfação. São para ela a amabilidade que se esqueceu de levar para casa e na casa dela a intolerância e o desgaste ficam do lado de fora da porta. Para ela existem as piadas a necessidade de surpreender e de encantar. Para ela há mensagem ousada, a música carinhosa, a surpresa da flor no fim do dia. As mensagens antes do dormir a ela se remetem que o telefonema para casa foi longo e serviu de história de embalar. Se continuasse a ser “a outra”, continuariam a existir as escapadelas de domingo a noite, os fins de semana fugidos, os beijos roubados dentro do carro. Se ainda fosse “a outra” nunca te zangavas comigo, planeavas afincadamente um novo reencontro e seduzias-me. Se eu fosse “a outra” vestias ao fim de semana aquela roupa que gosto tanto, perfumavas-te e punhas o creme de azeia só para mim. Se eu ainda fosse “a outra”… Mas não sou. Por isso, telefonas-me porque assim tem que ser, porque é suposto, porque assim passou a ser rotineiramente. Assim, sais do trabalho e falas do trabalho comigo. Como passaste a partilhar mais tempo comigo, eu acabei por ocupar todo o que tinhas livre. Passei a deitar-me na tua cama e não precisaste de me mandar mensagem picante para uma noite de sonho. Como vens cansado e eu estou ali, as gargalhadas transformam-se em lamentações. Os braços abertos para ti, em exigências. Presenciando o cansaço diário da tua vida, desculpo-te a impaciência, deixo-a ficar do lado de dentro da porta. Sabes que te compreendo, que estou mais perto, que no fundo sou tua, esqueces-te do esforço. O seduzir, o planear, o roubar beijos atrás da porta, o fugir comigo para um desses prédios em construção, ficou esquecido com “a outra”. Passei a ser mais uma das tuas obrigações diárias e assim passaste a precisar de te escapar de mim. Mesmo que não propositadamente, no fundo desejas o desejo, a frescura, “a outra”…
Mas sabes, “a outra” continuo a ser eu, até tu quereres, outra …
Mas sabes, “a outra” continuo a ser eu, até tu quereres, outra …
* Sílvia Amaral * 30 de Janeiro de 2009
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01:51:02
Que lindo!!! Senti cada palavra.
Que a brisa do Brasil, te beije e balance.
Te beijo.
pois é!!!!!!!!!!!!!
este mundo é cada vez mais feito de tremores..
para nos refugiarmos em outras vidas( nem ke seja por momentos…a outra), temos de ter alguém ke seja
uma parte de nós, ke esteja sempre conosco para quando cairmos na realidade termos sempre um ombro.Afinal todos nós temos uma outra personalidade dentro de nós muitas vezes ñ despertada…………. filipe